O Temple Bar é mesmo assim tão mau? Uma resposta honesta
A pergunta que me fazem mais
“Devo evitar o Temple Bar?” É o que as pessoas perguntam depois de lerem os fóruns de viagem, depois de alguém num grupo de Dublim no Facebook ter publicado o recibo de uma pinta de €12, depois de um amigo ter regressado de um fim de semana de despedida de solteiro e relatado que as ruas cheiravam a cerveja derramada e deceção. O consenso online é que o Temple Bar é uma armadilha turística, ponto final, e qualquer dinheiro gasto lá é dinheiro extraído do seu bolso por uma máquina bem praticada.
A resposta honesta é mais complicada do que isso, e acho que o aviso generalizado faz um mau serviço a algumas coisas que lá estão e que valem genuinamente a pena ver.
O que a crítica acerta
Os preços nos pubs-restaurante proeminentes são genuinamente altos. Não London-altos, mas significativamente acima do que se paga a dez minutos de distância. Uma pinta no Quays Bar, no Oliver St. John Gogarty ou no Palace Bar nas suas horas mais movimentadas custa mais do que o mesmo Guinness em quase qualquer outra parte da cidade. A comida nos lugares virados para o turismo é de qualidade média a preços acima da média. A música em alguns locais é executada para visitantes em vez de tocada por si mesma, e a diferença é audível.
A própria rua — a calçada de pedra principal entre a Dame Street e o Liffey — é visualmente atraente, mas frequentemente fisicamente desagradável: festas de despedida de solteiro de Liverpool e Edimburgo, grupos em faixas combinadas, pessoas cuja relação com a noite já se tornou complicada às 18h. Numa sexta ou sábado à noite no verão, o Temple Bar propriamente dito é melhor evitado, a menos que faça especificamente parte de um desses grupos.
As caixas multibanco cobram taxas de transação. As lojas vendem quinquilharia de trevo. As experiências de “pub irlandês tradicional” fotografadas nos guias são em grande parte concebidas para a fotografia em vez de para a bebida.
Tudo isso é verdade e vale a pena dizer.
O que a crítica erra
O Temple Bar enquanto bairro — o Bairro Cultural mais amplo tal como foi designado nos anos 1990 — não é o mesmo que as poucas ruas de comércio pesado de pubs que os turistas fotografam. O bairro inclui o Irish Film Institute, a Gallery of Photography, o Project Arts Centre, o Ark centro cultural para crianças, um bom mercado de alimentação aos sábados, e várias ruas de pequenas lojas, estúdios e restaurantes genuinamente interessantes que não têm nada a ver com a economia das festas de solteiro.
O Mercado de Alimentação do Temple Bar de sábado no Meeting House Square é um dos melhores mercados de Dublim. Funciona das 10h às 16h30 e tem produtores de alimentos independentes a vender queijo, pão, comida quente, produtos e especialidades a preços normais. A própria praça é usada para projeções de filmes ao ar livre no verão. Nada disso aparece nas publicações de aviso.
Também existem vários pubs no Temple Bar e arredores que não são armadilhas turísticas com preços excessivos. O Porterhouse na Nassau Street (tecnicamente adjacente) fabrica a própria cerveja e tem preços razoáveis. O Norseman na Essex Street East tem sido um pub local desde antes do Temple Bar existir como conceito de marketing. O Foggy Dew na Fownes Street, o Mulligan’s logo fora da rua principal — estes são pubs que servem dublinenses e visitantes.
Os pubs que valem a pena frequentar na mesma
Mesmo os pubs turísticos proeminentes não são uniformemente terríveis. O Palace Bar na Fleet Street — genuinamente antigo, teto de estanho prensado, madeira escura, paredes forradas com jornais emoldurados — vale uma bebida numa tarde tranquila. Vá ao meio-dia em vez de às nove da noite, sente-se ao balcão, e tem algo próximo do real. O Stag’s Head na Dame Lane (a poucos passos do Temple Bar) é um dos melhores interiores de pub vitoriano do país. Vá lá. Apenas evite-o numa sexta à noite depois das 20h.
A questão da música é onde a crítica às vezes simplifica demais. Algumas sessões de música tradicional nos pubs do Temple Bar são viradas para o turismo e parecem performativas. Mas a distinção entre uma sessão genuína e uma performada não é sempre geográfica — há boas sessões tradicionais em pubs por todo Dublim, e algumas delas ficam perto do Temple Bar. O tour a pé pelos pubs tradicionais leva-o a pubs onde a música é tocada por si mesma, incluindo alguns na área do Temple Bar — uma forma melhor de os encontrar do que entrar pela rua fora.
Como usar bem o Temple Bar
Percorra-o de dia antes de a economia noturna tomar conta. A arquitetura vale a pena ver — as ruas estreitas, os edifícios Dutch Billy, a variedade de épocas em camadas em poucos quarteirões. Visite o Irish Film Institute para um filme ou um café; o café é excelente e está sentado num belo edifício. Vá ao mercado de alimentação no sábado de manhã. Desça até à Ha’penny Bridge e ao passeio à beira do Liffey.
Depois, para a sua noite, saia. Os pubs para os quais apontaria por atmosfera, preço e qualidade real da bebida estão nas Liberties, à volta de Stoneybatter e Smithfield, ou no lado norte em torno da Parnell Square. O guia de pubs locais aborda isso com mais detalhe.
Se estiver alojado no Temple Bar — e muitos bons hotéis estão lá localizados — a questão não é se ir aos pubs da rua principal, mas se ficar neles durante a noite. Eu não ficaria. Caminhe dez minutos em quase qualquer direção e encontrará melhor valor, melhores pintas, e pessoas que estão lá porque querem estar e não porque seguiram um marcador no mapa.
O veredicto final
O Temple Bar não é assim tão mau como os fóruns dizem. Também não é assim tão bom como as fotografias nos guias de viagem sugerem. É um bairro que contém uma armadilha turística genuína no seu núcleo comercial, alguns locais culturais genuinamente merecedores e um mercado de alimentação nas suas margens mais calmas, e alguns pubs que valem a visita na hora certa do dia. A informação principal que as publicações de “evite completamente” perdem é que a experiência do Temple Bar tem muito a ver com quando e onde dentro dele vai.
Vá lá de manhã. Explore o Film Institute e as ruas laterais. Saia antes de os autocarros chegarem. Volte no sábado para o mercado. Essa versão do Temple Bar é boa. A versão que encontra às 21h de uma sexta de verão é aquilo sobre o que os fóruns o estão a avisar, e sobre isso, têm razão.
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